REMAKE: todos os flocos de neve

 Sinopse: Claire não acreditava que o seu grande trauma, que nutria amor platônico por ela, esteve congelado por quase 20 anos, agora estivesse vivo e com as lembranças vívidas do que viveram e do que sentiam, antes do fim, mas as coisas eram mais complexas do que ela imaginava, já que Leon tinha entrado em sua vida nesse meio tempo, como ficaria a relação dos dois? Ela iria atrás do passado ou do amor do presente? A Redfield sentia-se como um globo de neve depois de chacoalhado, com todos os flocos de neve dançando ao seu redor.

 

 

Capitulo  1:

 

Sibéria

 

Claire Redfiel era irmã de Chris, um soldado aposentado que agora trabalhava por conta própria, já que não confiava mais em instituições ou ONGs, ao contrário da irmã que trabalhava em uma, mas ela tinha um motivo muito especial por trás, Sherry, Leon e Steve, principalmente o último que ela não pode salvar e isso foi o seu maior arrependimento, mas que agora poderia mudar por uma desviada do destino. O relacionamento dos dois, Claire e Chris, era excelente, mesmo com o pouco contato que tinham devido suas vidas conturbadas na luta contra o bioterrorismo, e foi justamente por isso que ele discou aqueles números com os dedos trêmulos e a respiração ofegante, como se tivesse visto um fantasma, imagina você ver aquela pessoa que sua irmã se importava tanto e morreu, repentinamente voltar dos mortos depois de 20 anos como se o tempo não tivesse passado, algo similar ao Capitão América, e o Chris não sabia ser tão humanitário como a irmã. Chris amava a Claire e isso era inegável, mas aquilo ia além do amor fraterno, era uma dor que a irmã carregava e que ele também sentia depois de inúmeras perdas.

— Maninho? Você só liga as terças pra dar oi. – brincou ela, uma tradição entre os dois pra manter contato, criar rotina e garantir que estavam vivos, mas logo ela notou algo diferente no tom de voz, era algo tão específico e que apenas acontecia em casos graves, ela ficou preocupada com o silêncio do outro lado da linha após a pergunta, a ruiva mordeu o inferior imaginando que ele teria uma péssima notícia, talvez outra morte dificil que afetaria ambos, pensou até no pior, a morte do Leon. — Aconteceu alguma coisa, Chris? - ela segurou com força a bancada da mesa, o coração começando a bater forte, a respiração ficando ofegante, uma crise de pânico que ela não sentia desde 1999. — Chris... - sussurrou quase em um murmúrio, ele notou a crise de pânico dela e isso o fez ter a força que precisava pra contar a verdade.

— O Steve Burnside está vivo. – ela quase derrubou o celular, mas segurou firmemente encarando a parede amarela a sua frente. — Você precisa viajar pra Sibéria imediatamente, mas primeiro respira, tá bom? Padrão 3-3-3 que o Leon te ensinou, eu não posso ir aí agora então o Leon vai te buscar, ok? Inspira 3 segundos, segura 3 segundos e solta 3 segundos pela boca. - ele tentou falar calma e pausadamente, mas era nítido seu estresse e preocupação, apenas o Leon sabia agir nessas horas.

— Tô indo! – ela encerrou a ligação antes de deixa-lo terminar, e ele encarou o aparelho se lembrando de tudo o que aconteceu na ilha rockfort, era impossível que ele estivesse vivo... Mas ao mesmo tempo, já tinha lidado com horrores piores e tão inimagináveis quanto.

Claire não conseguiu se mover, apenas chorou sem parar deixando o aparelho cair, a crise de pânico a impediu de pensar, estava a um passo de desmaiar, então o Leon passou pela porta após usar a chave reserva, não hesitou em pegá-la no colo e a abraçar apertado.

— Eu tô aqui, respira, lembra do 3-3-3... Claire. - ela olhou nos olhos dele e ele retribuiu o olhar, sabia a dor que ela sentia, e já esteve no lugar dela antes, sendo acalmado pela própria. — Já sei a notícia, respira e se acalma, tá bom? Nós iremos lá no seu tempo, só foca em ficar bem primeiro. - beijou os fios dela e fez o exercício respiratório, o que foi o suficiente pra ela inconscientemente imitar, logo fazendo de forma consciente e recobrando a sobriedade.

— Obrigada, de verdade, você é o melhor amigo que eu pude ter. - ela sussurrou e fechou os olhos o abraçando apertado. — Podemos ir amanhã então? Só preciso assimilar tudo, analisar alguns documentos, tem a cópia deles?

— Tenho tudo, eu sei que você leva a sua profissão a sério, tá tudo no pen drive. - respondeu e a deixou soltar-se do abraço, vendo a mesma ajeitar os fios e já pegar o seu óculos e o notebook na mesinha de centro. — Mas com calma, você acabou de passar por uma crise de pânico Claire, tenta comer algo primeiro. - ele não deu o pen drive ainda, na verdade preferiu pegar o café da máquina e ela o encarou com aquele olhar que ele conhecia bem, “quando vai parar de me tratar que nem criança?” e o olhar dele com a piscadela a resposta de sempre “provavelmente nunca”, ela suspirou e ligou o aparelho começando a fazer o que precisava, pegando no ar e sem olhar o pen drive que ele lançou, eles se entendiam tão bem, que conseguiam até saber o que o outro pensava, com direito a memória muscular.

— Steve Burnside... Oficialmente morto em 1998 na Ilha Rockfort. - ela murmurou pra si mesma reunindo os documentos da época, começando sua investigação antes de ir pessoalmente encarar o fantasma.

 

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